Pedro Henriques defendeu novas tecnologias e profissionalização dos árbitros

18-04-2009 23:56
O árbitro Pedro Henriques afirmou que o futebol tem que acompanhar “o novo paradigma” que está a viver, defendendo as novas tecnologias, a profissionalização dos árbitros e mudanças na lei de jogo.
Durante um debate sobre “A Arbitragem na Evolução do Futebol”, organizado pelo Núcleo de Árbitros do Barreiro, presidido pelo árbitro Luís Reforço, e pela junta de freguesia do Alto Seixalinho, Pedro Henriques explicou que antes o futebol era um jogo para “os milhares que estavam no estádio” e agora “para milhões que vêem na televisão”.
“Defendo três apostas. As mudanças na lei de jogo, como aconteceu com várias modalidades, como o voleibol ou o andebol, e que evoluíram, sou também um defensor das novas tecnologias e não só o olho de falcão e também acho que se tem que apostar na formação de árbitros e isso só tem um caminho, o da profissionalização”, afirmou.
“Não se trata de ganhar mais dinheiro mas os árbitros hoje em dia estudam, correm mas não treinam a arbitragem e tal como as equipas e técnicos é importante recriar as situações de jogo”, acrescentou, considerando o modelo inglês um bom exemplo.
O árbitro lembrou também a final da Taça da Liga como exemplo para a defesa das novas tecnologias, apesar de explicar que as mudanças têm muitas resistências nos principais organismos do futebol.
“As novas tecnologias não implicam uma paragem assim tão grande. Na final da Taça da Liga o jogo esteve parado dois minutos e três segundos e em 15 segundos podia-se ter visto”, referiu.
No debate estiveram também presentes o técnico Dauto Faquirá e o jogador do Belenenses José Pedro, com as diferentes opiniões a serem moderadas pelo jornalista João Rosado.
O técnico, que actualmente está sem clube, explicou que é importante que os árbitros possam ter novas ferramentas que lhes possibilitem errar menos e também considerou a profissionalização como um caminho a seguir.
Dauto Faquira lembrou também o papel pedagógico que os treinadores devem ter.
“A função do treinador deve também ser pedagógica, eu raramente falo de arbitragem. Quando leio alguns jornais com palavras como 'roubo' fico chocado, as pessoas devem ser educadas, ainda para mais se no fim se fizer as contas a coisa fica equilibrada”, disse.
O médio José Pedro explicou que os jogadores também não ajudam os árbitros e defendeu que essa situação do futebol português deve mudar.
“Jornalistas, treinadores, directores e jogadores tem que incutir isso. Penso que temos uma missão e seria importante outros jogadores ouvirem e debaterem estes assuntos”, considerou.
Pedro Henriques, que levantou ideias sobre algumas possíveis alterações, como o facto de o jogador poder ser assistido com o jogo a decorrer, o que na sua opinião levava a que a maioria não necessita-se de assistência, explicou que a tecnologia podia evitar alguns erros.
“Se todos aceitassem o erro, tudo bem, mas existem situações em que a nossa própria vida social e familiar é afectada. As novas tecnologias teriam implicações nas regras, não acabavam com os erros, mas podiam evitar erros em lances decisivos”, disse.
“Importa não esquecer que esta geração de árbitros vive sobre o espectro do Apito Dourado, mas quem não tem nada a ver com isso”, acrescentou.
O árbitro partilhou também uma historia que acorreu no jogo entre o Estrela da Amadora e o Benfica, na época passada, em que um penalti mal assinalado pelo assistente permitiu ao Benfica empatar o jogo já perto do fim e depois vencer no desempate por penaltis.
“O Lima (assistente que marcou o penalti) estava a chorar no balneário no fim do jogo e o técnico do Estrela, o Dauto, entrou e disse ao Lima que acontece e que na próxima semana podia ser ele a errar uma substituição”, contou, deixando elogios à postura de Dauto Faquirá.
A terminar, depois de questionado pela assistência sobre as criticas de alguns ex-árbitros às exibições de antigos colegas, Pedro Henriques respondeu: “São pessoas com muita azia, que pararam no tempo e pensam que são os melhores, não convivem bem com o sucesso dos outros”.
in: O Jogo
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